14 de junho de 2007

OS NINHOS









DIÁLOGO DE CRIANÇAS

Ninhos, ninhos, gosto tanto
de os achar entre a ramagem...
ocultos pela folhagem,
são o meu maior encanto.

Aqui p'ra nós: outro dia
achei um tão delicado....
não calculas que alegria
me causou aquele achado!

Era de musgo, de penas
e de pêlos muito finos:
tinha quatro ovos apenas,
pequeninos ... pequeninos...

Sorri de satisfação
eali fiquei encantado...
-E tiraste-os?
-Eu não!
deixei-os no mesmo estado.

-Fizeste bem.
-Esse ninho,
quero mostrar-to também:
é daqui muito pertinho;
mas não digas a ninguém...

-Não é preciso, agradeço,
eu não preciso saber;
mas uma coisa te peço:
que tens tenção de fazer?

-Tirar o ninho, pudera!
quando tiver passarinhos.
Eu gosto da Primavera
por ser o tempo dos ninhos.

-Não faças tal, meu amigo,
isso é um crime!
-Porquê?
-Ora escuta o que te digo
e hás de dar-me razão, crê.

Essas aves inocentes
não fazem mal a ninguém;
deixa-as lá viver contentes,
criar os filhos que teem

-Não fazem? Oh! tal não digas!
vê, por exemplo, os pardais...
fazem um mal ás espigas...
fazem um dano aos trigais...

-Mas muito mais que os bagos
com que os pardais se alimentam,
valariam os estragos
dos insectos que os sustentam.

Em troca dos grãos que comem
ou que levam para os ninhos,
prestam bom serviço ao homem,
matando insectos daninhos.

Roubar um ninho, em verdade,
sem proveito p'ra ninguém,
além de ser crueldade,
é erro grave também.

E já pensaste algum dia
na ternura e no carinho,
no cuidado e na alegria,
com que foi feito êsse ninho?

Conservá-lo é que importa:
vês? cada ninho roubado
é uma esperança morta:
é um lar aniquilado.

-Já vejo que tens razão:
fazer mal aos passarinhos
é um erro. Mas então?
eu gosto tanto de ninhos...

-Tens irmãos, tens pai e mãe
que te adoram com ternura:
gostavam eles que alguém
lhes roubasse essa ternura?

Não julgues que os passarinhos
não sofrem, que não padecem,
quando lhes roubam os ninhos
com os filhos que estremecem.

Coitadinhos! quando voltam,
se encontram o ninho só,
ums pios tão tristes soltam,
que fazem imenso dó.

-Prometo não mais tornar
a cometer a loucura
de às avezinhas roubar
filhos, amor e ventura.

-Roubar um ninho denota
maus instintos e vileza:
cada ave é uma nota
no côro da Natureza.

-Pensas como um homem velho...
Deixa-me apertar-te a mão
por êsse nobre conselho,
por esta bela lição.

3 comentários:

Anónimo disse...

Quem é o autor deste poema?
Agradeceria o favor da informação.
Maria Machado

Anónimo disse...

Este poema trata-se de um "Diálogo Infantil" que consta num antigo livro de leituras do Ensino Primário Elementar para a IV classe, não estando identificado o autor.

José Ricardo

Lurdes Lourenço Lima disse...

Muito interessante, meu marido o diz muitas vezes.